Sócrates – Vida e Obra


Vida de Sócrates

    Sócrates foi um filósofo grego nascido em Atenas no ano de 470 a.C. De origem modesta, era filho de Sofronisco, escultor, e de Fenarete, parteira, com quem dizia ter aprendido a arte de obstetra de pensamentos. Sócrates era casado com Xantipa, cujo nome se tornou provérbio.

    
Abandonando a arte de seu pai dedicou-se inteiramente a missão de despertar e educar as consciências, tendo como influência a filosofia de Anaxágoras. Sempre entre jovens, sempre em discussões, especialmente com os sofistas, nada escreveu. Por isso, o seu pensamento tem que ser reconstituído sobre testemunhos, como o de Xenofonte, de Platão e de Aristóteles. Viveu sempre em Atenas, tendo participado das batalhas de Potidea (onde salvou a vida de Alcebíades) de Delion e de Anfipolis.

     Em 399 a.C., a sua actividade e a sua vida foram finalizadas pela condenação à morte, sob a acusação de corromper os jovens contra a religião e as leis da pátria. Ao se dirigir aos atenienses que o julgavam, Sócrates disse que lhes era grato e que os amava, mas que obedeceria antes ao deus do que a eles, pois enquanto tivesse um sopro de vida, poderiam estar seguros de que não deixaria de filosofar, tendo como sua única preocupação andar pelas ruas, a fim de persuadir seus concidadãos, moços e velhos, a não se preocupar nem com o corpo nem com a fortuna, tão apaixonadamente quanto a alma, a fim de torná-la tão boa quanto possível.

     Denunciado, então, como subversivo, foi condenado à morte ignominiosa, tendo de beber a cicuta na prisão de Atenas em Fevereiro de 399 a.C. Segundo Sócrates, a Ciência fala de ser justo em relação ao cosmos, fala da modificação da alma, purificando o espírito em sua unidade e totalidade, o qual não é mais capaz de erro e de pecado.

O que significa morrer para Sócrates?

     Sócrates afirma que mais difícil que evitar a morte é “evitar o mal, porque ele corre mais depressa que a morte”. Quanto a morte, apenas pode ser uma destas duas coisas: “
·         Aquele que morre é reduzido ao nada e não tem mais qualquer consciência; ou
·         Conforme ao que se diz, a morte é uma mudança, uma transmigração da alma do lugar onde nos encontramos para outro lugar.


    Se a morte é a extinção de todo sentimento e assemelha-se a um desses sonos nos quais nada se vê, mesmo em sonho, então morrer é um ganho maravilhoso. Por outro lado, se a morte é como uma passagem daqui para outro lugar, e se é verdade, como se diz, que todos os mortos aí se reúnem, pode-se, senhores juízes, imaginar maior bem?” Apoiado nessas hipóteses, as únicas existentes a respeito de um fato que não permite certezas racionais, o septuagenário Sócrates despede-se, tranquilo, de seus concidadãos: “Mas eis a hora de partirmos, eu para a morte, vós para a vida. Quem de nós segue o melhor rumo, ninguém o sabe, excepto o deus”

Obras de Sócrates

Ciência = Virtude = Felicidade

     Esta é a equação Socrática, que quer dizer que o bem é igual ao útil, ou seja, as pessoas fazem o bem por interesse próprio, porque é o que vai levá-las a felicidade. Ele achava que as pessoas deveriam agir correctamente, pois estando no caminho certo, a tendência será essa pessoa ser feliz. Mesmo assim, eventos externos podem modificar o resultado dos eventos.

     Sócrates queria que as pessoas se desenvolvessem na Virtude. A virtude é um agir óptimo, é procurar fazer o bem, que é o correcto, o ideal. Ser virtuoso é o máximo que se pode ser. O acto virtuoso depende do fim que se colocar para ele. As coisas são virtuosas na medida que elas fazem bem as coisas para as quais elas foram feitas. O caminho para a virtude não é só o intelecto, razão, é o conhecimento místico também. Para Platão, as principais virtudes são: força, coragem, justiça e piedade. A virtude abrange, também, criar riquezas.

A virtude da alma é a sabedoria, que é o que a aproxima de Deus

     A sabedoria tem a ver com humildade intelectual e não com a quantidade de saber. Sócrates diz: “Só sei que nada sei, mas nisso supero todos os outros que nem isso sabem”. O ignorante é arrogante porque pensa que sabe. Não descobrindo em si mesmo espécie alguma de sabedoria, onde quer que estivesse, interrogava seus interlocutores a respeito de coisas que, por hipótese, deveriam saber. Ao interrogá-los, verificou que não sabem o que julgam saber, e o que é mais grave, não sabem que não sabem. Assim, Sócrates se achava mais sábio porque pelo menos sabia que nada sabia, ao passo que as outras pessoas pensavam que sabiam.


    O importante para a sabedoria é o que você faz, não é o que você sabe. A sabedoria modifica o ser e purifica a alma de forma que seus objectivos fiquem mais fáceis de serem atingidos, ou seja, o que há de comum entre todas as virtudes é a sabedoria, que, segundo Sócrates, é o poder da alma sobre o corpo, a temperança ou o domínio de si mesmo. Permitindo o domínio do corpo, a temperança permite que a alma realize as actividades que lhe são próprias, chegando a ciência do bem. Para fazer o bem, basta, portando, conhecê-lo. Todos os homens procuram a felicidade, quer dizer, o bem, e o vício não passa de ignorância, pois ninguém pode fazer o mal voluntariamente.

     Para Sócrates, a filosofia vem de dentro para fora e sua função é despertar o conhecimento, ou seja, o Auto-conhecimento, pois a verdade está dentro de cada um. Para conhecer a si mesmo é preciso conhecer o outro. A alma do outro é como se fosse o espelho da própria alma. Por meio da comparação com o olho, Platão utiliza o método indirecto da auto-observação (método da introspecção.
  •      “Homem, conhecer-te a ti mesmo”, que era, na inscrição de Delfos (onde Sócrates foi proclamado o mais sábio), uma advertência ao homem para que reconhecesse os limites da natureza humana, tem dois significados:
  • ·         Ter a consciência da condição humana, não tentar ser mais do que é para os homens serem, não tentar ser Deus, não ser arrogante, devendo os limites do homem serem respeitados para que se viva bem, ou seja, a consciência da seriedade e gravidade dos problemas, que impede toda presunção de fácil saber e se afirma como consciência inicial da própria ignorância;

·         E, o conhecimento interior, para o grego, é conhecer o que permanece oculto, isto é, as coisas divinas eternas, o que as pessoas nem sabem que podem ser, ou seja, é necessário conhecer o mundo para conhecer a si mesmo.
     É preciso um caminho indirecto, como a ironia (método de ensino de Sócrates), porque o caminho para o conhecimento interior é individual a cada um. A Ironia possui duplo aspecto: a refutaçãoe a maiêutica.

  • ·         Através da refutação, Sócrates faz uma cadeia de raciocínio para provar que a base do que o outro está pensando está errada. Levava ao ridículo homens considerados sábios. O emprego da refutação para libertação do espírito é de origem eleática. Sócrates tira-a de Zenão, que é o criador. Procurava na filosofia o melhor caminho da libertação das almas do erro, do pecado e da condenação ao ciclo de nascimento.
  • ·         A refutação faz parte da maiêutica, que é a arte de Sócrates projectar ideias, fazer nascer a verdade. Através da maiêutica, Sócrates fingia ser capaz unicamente de interrogar, mas não de ensinar alguma coisa, mas levava o interlocutor, mediante uma série de perguntas habilmente formuladas, a tomar consciência da própria ignorância e a confessá-la. Reconhecido isto em relação ao que se julgava e presumia saber, procura-se extrair da sua alma o conceito que nela permanecia oculto, desenvolvendo seu próprio pensamento, ou seja, reencontrando, por si mesmos, conhecimentos que já possuíam sem o saber. O exemplo clássico da aplicação da maiêutica é encontrado no diálogo platónico intitulado Mênon, no qual Sócrates leva um escravo ignorante a descobrir e formular vários teoremas de geometria.

“A sabedoria plena é buscada através do auto-conhecimento, que tem como método indirecto a ironia.”

Algumas frases de Sócrates
  • ·         Conhece-te a ti mesmo, torna-te consciente de tua ignorância e será sábio.
  • ·         Transforme as pedras que você tropeça nas pedras de sua escada.
  • ·         O que deve caracterizar a juventude é a modéstia, o pudor, o amor, a moderação, a dedicação, a diligência, a justiça, a educação. São estas as virtudes que devem formar o seu carácter.
  • ·         Chamo de preguiçoso o homem que podia estar melhor empregado.
  • ·         É melhor fazer pouco e bem, do que muito e mal.
  • ·         Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância.
  • ·         Quatro características devem ter um juiz: ouvir cortesmente, responder sabiamente, ponderar prudentemente e decidir imparcialmente.
  • ·         A ociosidade é que envelhece, não o trabalho.
  • ·         Quem melhor conhece a verdade é mais capaz de mentir.
  • ·         Sob a direcção de um forte general, não haverá jamais soldados fracos.




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