Pedagogia Tradicional

Introdução 
O presente trabalho surge no âmbito da cadeira de fundamentos de pedagogia e leva como tema: pedagogias tradicionais-educação bancária, pedagogias inovadoras-escola nova. Dentro deste tema aborda-se assuntos que dizem respeito ao processo de ensino na pedagogia tradicional, e discute-se também sobre o pensamento pedagógico crítico e africano.
·    Compreender as pedagogias tradicionais e a educação bancária;
·    Conhecer os pensadores das pedagogias inovadoras.
·     Caracterizar o ensino na pedagogia tradicional;
·     Demostrar o pensamento dos vários defensores das pedagogias inovadoras.
A Pedagogia Tradicional é uma das concepções contemporâneas da educação, e por se tratar de uma das mais aplicadas concepção da educação e discutida até os dias de hoje. A Pedagogia Tradicional é conhecida por não possibilitar uma maior interacção entre o professor e o aluno, por isso ela é tão criticada, pois não permite que o aluno busque um maior entendimento dos assuntos, já que ele é tratado passivamente como mero ouvinte, que precisa apenas decorar o conteúdo. A educação passou por varias mudanças nos últimos tempos, e essas mudanças provocaram uma serie de novas concepções de educação, as chamadas “concepções contemporâneas de educação”, entre elas esta uma das mais antigas e discutidas que é a Pedagogia Tradicional.
O ensino tradicional é uma das concepções contemporâneas mais antigas, e é um ensino que predomina nas escolas até hoje. A pedagogia tradicional fica presa a um ensino padronizado, que muitas vezes não permite a inovação e também uma interação maior entre aluno-professor.
Primeiramente a escola surge como um instrumento para combater e resolver o problema da marginalidade, onde a escola se centraliza no professor que transmite o conteúdo aos alunos, e a estes cabe assimilar os conhecimentos transmitidos, sem se preocupar com problemas sociais ou outros que poderão surgir.
Nesta tendência o papel da escola consiste na preparação moral e intelectual dos alunos, para assumir sua posição na sociedade. O compromisso das escolas é com a cultura, os problemas sociais pertencem a sociedade.
O ensino corresponde numa aprendizagem onde o professor da a matéria e uma lição para o aluno fazer, no qual na próxima aula faz uma recapitulação da aula anterior corrigindo os exercícios, se todos fizerem, passa a frente, se ficou duvidas é preciso que se prolongue mais esta matéria, depois de solucionar todos os problemas, ai podemos prosseguir com a matéria.
Segundo Libâneo “a  pedagogia tradicional é aquela que não respeita as individualidades do aluno e que faz o ensino permanecer distante da realidade dos alunos, já que o conhecimento absoluto vem dos professores, o que fazer com as experiências e os conhecimentos já adquiridos pelos alunos em seu meio? Por isso a necessidade e a preocupação de que a educação parta do geral, para o particular, tornando a educação um processo dinâmico e dotado de significado aos alunos”.

Para descrever o processo educativo tradicional, elaborou-se o conceito de “educação bancária”, onde o conhecimento é apenas transmitido para o educando e este deve absorver as informações sem questionar, o que o reduz à mero espectador, tornando-o um objecto do processo de ensino, porque não é capaz de exercer actividades básicas para qualquer sujeito: a participação e o diálogo. Neste contexto o educador mantém uma postura rígida, com ideias fixas e invariáveis, que julga o valor da sua existência a partir da sua ideia de que os educandos são ignorantes, e que precisam dele para se transformar, caso contrário, nunca serão capazes de serem inteligentes. Esta visão retira do educando a possibilidade de viver sua autonomia e permitir esta experiência é uma atitude de respeito e amor com os educandos,a partir de uma postura ética do educador-educando, que estimula, e aceita a vocação ontológica do ser humano de ser mais.
Para colocá-la em prática é necessária uma profunda reflexão sobre a prática educativo-crítica, e, nas condições reais de autonomia, o educador se coloca ao lado do educando, sua postura é de estar junto com ele na tarefa de descobrir o mundo. Esta tarefa, realizada de forma coerente, implica em incentivar ao educando o pensamento curioso, em discordar do educador e construir uma postura que não se conforma com a primeira impressão, e precisa ir mais fundo.
A Escola Nova representa o mais vigoroso movimento derenovação da educação. A teoria daEscola Nova propunha que a educação fosse investigadora damudança social e, ao mesmo tempo, se transformasseporque a sociedade estava em mudança. o desenvolvimento da sociologia da educação e dapsicologia educacional também contribui para essarenovação da escola. Um dos pioneiros da Escola Nova foi ADOLPHEFERRIÈRE (1879-1960).Suas ideias se basearaminicialmente em concepções biológicas, transformando-sedepois numa filosofia espiritualista. Para ele, o ideal daescola activa é a actividade espontânea, pessoal e produtiva.Em resumo, a Educação Nova seria integral, activa, prática eautónoma. Ferrière criticava a escola tradicional afirmando que elahavia substituído a alegria de viver pela inquietude.
Jean Piaget (1896-1980) investigou a naturezas desenvolvimento da inteligência na criança, propondo o método da observação para a educação da criança. Criticou a escola tradicional que ensina a copiar e não a pensar. Segundo ele, para obter bons resultados o professor deveria respeitar as leis e as etapas do desenvolvimento da criança. O objectivo da educação deveria ser aprender por si próprio a conquista do verdadeiro.
Teve também grande destaque dentro desta escola, a experiência da médica MariaMontessori (1870-1952), que transpôs para crianças normais seu método de recuperação de crianças deficientes. Construiu vários jogos e materiais pedagógicos que, com algumas variações, são ainda utilizados em pré-escolas.Pela primeira vez na história da educação,construiu-se um ambiente escolar com objectospequenos para que a criança tivesse domínio sobre eles: mesas, cadeiras, estantes, etc.
John Dewey (1859-1952) foi o primeiro aformular o novo ideal pedagógico,afirmando que o ensino deveria dar-sepela acção e não pela instrução. Para ele, a educação continuamente reconstruía a experiência concreta de cada um. Essa experiência se apresentava sempre diante de problemas que a educação poderia ajudar a resolver. De acordo com essa visão, a educação era um processo de reconstrução. Não existiria um fim a ser atingido, mas a educação se confundiria com o próprio processo de viver. O importante era aumentar o rendimento da criança, segundo seus próprios interesses vitais. Só o aluno podia ser o autor de sua experiência. Nesse sentido, a escolaNova acompanhou o desenvolvimento capitalista, representou a exigência desse desenvolvimento. Propunha a construção de um homem novo dentro doprojecto burguês da sociedade.

KARL HEINRICH MARX
A contribuição do socialismo para a educação tem que ser considerada em dois níveis: o do esclarecimento e da compreensão da totalidade social, de que a educação é parte, incluindo as relações de determinação e influência que ela recebe da estrutura económica, e o específico das discussões de temas e problemas educacionais. Nenhum pensador influenciou tão profundamente as ciências sociais contemporâneas como Marx. Para ele a educação do futuro deveria nascer do sistema fabril, associando-se ao o trabalho produtivo com a escolaridade e a ginástica. Essa educação se constituiria no método para produzir seres humanos integralmente desenvolvidos. Devemos mudar a educação para alterar a sociedade, ou a transformação social é a primeira condição para a transformação educativa. Marx afirmou que uma dificuldade peculiar liga-se a esta questão.De uma lado seria necessário mudar as condições sociais para se criar um novo sistema de ensino; de outro, um novo sistema de ensino transformaria as condições sociais. Para Marx, a transformação educativa deveria ocorrer paralelamente à revolução social. Para o desenvolvimento total do homem e a mudança das relações sociais, a educação deveria acompanhare acelerar esse movimento, mas não encarregar-se exclusivamente de desencadeá-la, nem de fazê-la triunfar.mas não encarregar-se exclusivamente de desencadeá-la, nem de fazê-la triunfar.mas não encarregar-se exclusivamente de desencadeá-la, nem de fazê-la triunfar.

ANTON SEMIONOVITCH MAKARENKO
“Considerado um dos maiores pedagogos soviéticos e um dos expoentes da história e da educação socialista, criou a mais elaborada e completa proposta educacional comprometida com a construção da sociedade socialista, dentre todas as produzidas pela tradição revolucionária.
Em 1927, quando aconteceu a Revolução Bolchevique, Makarenko terminava um curso no Instituto Pedagógico de Postava e dirigia uma escola de ferroviários, desenvolvendo trabalhos políticos e pedagógicos junto à comunidade.
Chamado pelo Comissariado do Povo para fundar, em 1920, uma colóniacorreccional para inúmeros delinquentes e condenados e menores abandonados levados pela Primeira Guerra Mundial e pela Guerra Civil (1918-1921), Makarenko viu-se frente a frente com o desafio da reeducação socialista”. 
A partir desta prática o educador formulou sua teoria pedagógica, abrangente e engajada. Ele próprio descreveu detalhadamente no poema Pedagógico, sua principal obra, as experiências nesta instituição que se transformou numa escola concreta onde a prática diária, analisada a partir de suas concepções socialistas, lhe ensinaria mais que todas as teorias pedagógicas. Algumas das qualidades dos cidadão soviético que Makarenko queria formar foram um profundo sentimento do dever edaresponsabilidade para com os objectivos da sociedade um espírito de colaboração, solidariedade e camaradagem; – uma personalidade disciplinada, com grande domínio da vontade e com vistas aos interessescolectivos; – algumas condições de actuação que impedissem a submissão e a exploração do homem pelo homem; – uma sólida formação política;- uma grande capacidade de conhecer os inimigos do povo. Makarenko procurou moldar o “novo homem”, que achava possível e necessário, para a Rússia pós-revolução. De humanista a militarista, ele recebeu todos os títulos, mas sua polémica tornou-se ponto de referência dos educadores até hoje

O pensamento pedagógico crítico visa valorizar as experiências e conhecimentos do aluno conferindo poder ao estudante de interferir de seu processo educacional e colocar o professor como contribuinte e transformador de conhecimentos democráticos se apoiando nos princípios éticos, solidários e buscando convergir discurso e acção.

Segundo Lais de Almeida “A pedagogia crítica foi marcada pelo abandono do optimismo em detrimento de uma crítica radical ao processo educacional vigente até então. Suas críticas se firmavam numa realidade que segregava, na maior parte das escolas de países capitalistas, os alunos de baixa rendas, concentrando toda a estrutura escolar em prol da formação dos alunos das classes dominantes e deixando para os alunos dos grupos dominados uma educação que visava sua preparação para o mercado de trabalho nas indústrias e cargos nas categorias de trabalho de classe baixa, não oferecendo a estes últimos a oportunidade de uma mudança ou ascensão dentro da sociedade. Criticavam também a reprodução da sociedade que era feita dentro do ambiente escolar, ambiente este que era usado como uma ferramenta politica para manter a estrutura social”
BOURDIEU
Bourdieu dirigiuo Centro de Sociologia Européia, que pesquisa os problemas da educação e da cultura na sociedade contemporânea. O ponto de partida para a sua análise é a relação entre o sistema de ensino e o sistema social. Para Bourdieu, a origem social marca de maneira inevitável e irreversível a carreira escolar e, depois, profissional, dos indivíduos. Essa origem social produz primeiro o fenómeno de selecção: as simples estatísticas de possibilidades de ascender ao ensino superior, segundo a categoria social de origem, mostra que o sistema escolar elimina de maneira contínua uma forte proporção das crianças saídas das classes populares. No entanto, segundo os pesquisadores franceses, é um erro explicar o sucesso e o fracasso escolar apenas pela origem social. Existem outras causas que eles designam pela expressão “herança cultural”.Entre as vantagens que os “herdeiros” possuem, deve-se mencionar o maior ou o menor domínio da linguagem. A selecçãointervém quando a linguagem escolar é insuficiente para o “aproveitamento” do aluno. E este fenómeno atinge prioritariamente as crianças de origem social mais baixa. As que têm êxito são as que resistiram por diversas razões, à laminagem progressiva da selecção. Mantendo-se no sistema de ensino, elas provam ter adquirido um domínio da linguagem ao menos igual ao dos estudantes saídas das classes superiores.à laminagem progressiva da selecção. Mantendo-se no sistema de ensino, elas provam ter adquirido um domínio da linguagem ao menos igual ao dos estudantes saídas das classes superiores.à laminagem progressiva da selecção. Mantendo-se no sistema de ensino, elas provam ter adquirido um domínio da linguagem ao menos igual ao dos estudantes saídas das classes superiores.

HENRY GIROUX
Definindo-se como socialista democrático, Giroux se dedicou da sociologia da educação, da cultura, da alfabetização e da teoria do currículo. Em seu livro Teoria crítica e residência em educação Giroux propôs uma visão “radical” da educação integrando e superando as posições neo-marxistas da teoria de reprodução de Bourdieu. O aspecto mais marcante de Giroux parece ser o tratamento dialéctico dos dualismos entre a acção humana e estrutura, conteúdo e experiência, dominação e resistência. A escola é analisada como um local de dominação e reprodução, mas que ao mesmo tempo permite às classes oprimidas um espaço de resistência. Giroux apresenta seu trabalho como uma visão de esperança e de possibilidades ao invés do desespero comummente apresentado pelos outros autores.
AMÍLCAR CABRAL
Deixou obras que comportam vários domínios: o político e o ideológico, a estratégia militar, o desenvolvimento social, o processo de formação nacional e as relações internacionais. Inserindo a teoria e a prática do combate libertador numa perspectiva revolucionária de transformação global da sociedade, Almílcar Cabral deixou-nos uma contribuição dinâmica ao aprofundamento dos debates ideológicos que caracterizam nossa época. Almílcar Cabral foi assassinado em 20 de Janeiro de 1973 por agentes dos colonialistas português que tinha a pretensão de controlar o povo para que não houvesse a revolução. Ao contrário do que supõe os organizadores, o povo prosseguiu a luta iniciada por Cabral e conquistou sua liberdade em 24 de Setembro de 1973. Principais obras: A arma da teoria e A prática Revolucionária.
JULIUS K. NERERE
Logo depois da sua independência, em 1961 a Tanzânia passou por uma revolução educacional na qual o presidente do país, Julius K. Nyerere, teve um papel bastante importante. Baseado no denominado (Programa de autoconfiança), presidente Nyerere resolveu investir maciçamente em educação. A nova filosofia educacional baseava-se no resgate da autoconfiança de cada criança e de cada cidadão, através do estudo de sua cultura, moral e história. Os educandos deveriam ser formados para participar activamente da nova sociedade socialista que se instalou após a independência. As aspirações educacionais foram implementadas como garantias que se tivessem uma melhoria quantitativa e qualitativa do ensino, aliada à elevação da qualidade de vida do cidadão.O primeiro estágio foi garantir que cada professor tivesse clareza das implicações educacionais dessa nova filosofia, foram organizados seminários a nível nacional, envolvendo todas as pessoas ligadas directa ou indirectamente à educação, bem com representantes de organizações de outra natureza. Uma das mudanças mais radicais foi o resgate e adopção do idioma nativo, o “suvahili”, como língua oficial. Para isso, foi necessário confeccionar novos materiais pedagógicos, o que envolveu os mais diversos segmentos da sociedade, no esforço para se resgatar a autonomia cultural. Para que o programa “Self-reliance” fosse implantado, foi necessário a construção de uma nova consciência nacional onde não apenas os professores mais todos os cidadãos, muito mais através de seus exemplos do que de suas palavras,contribuíssem na formação dos jovens e crianças tanzaneses.
Apôs varias e profundas pesquisas na análise sobre o tema: pedagogias tradicionais-educação bancária, pedagogias inovadoras concluiu-se que:
O estudo da Pedagogia Tradicional, aplicado nas escolas é uma espécie de educação alheia as experiências e reais necessidades dos alunos, já que promove uma certa padronização do conhecimento, onde o professor é o dono do conhecimento e transmite aos poucos para seu aluno que passivamente apenas memorizam o conteúdo de forma a saber, ou melhor decorar, sem uma mínima interação aluno-professor.
Constatou-se também que este seja um desafio das escolas e da sociedade transpor esta pedagogia tradicional, já que os governantes realmente não proporcionam projectos eficazes as escolas e ao contrario desmotivam os educadores a mudarem e serem ousados, e muitas vezes estes profissionais, difundem de magistérios carregados de ideologias dominantes e que são pouco aproveitadas para as massas populares.

Referências bibliográficas 
Aldelei Aluisio dos Santos
LIBÂNEO, José C.; Democratização da Escola Publica a Pedagogia Crítico Social
dos Conteúdos. São Paulo, Loiola, 15ª edição, 1985.
Luis Felipe Salles Freire às 11:41
Gadotti Moacir, história das ideias pedagógicas, Brasil, 8a edição, 2003.
Citado por Luis Felipe Salles Freire às 11:41
HISTÓRIA DAS IDÉIAS PEDAGÓGICAS – Moacir Gadotti
Publicado Por Leticia Pinho.Pdf


AVISONos não nos responsabilizamos por qualquer uso ilegal deste trabalho, comprem o original e valorizem os direitos do autor! Não tirem fotos e nem imprimem esse trabalho.
“Apenas Leia”