Pecuária (Moçambique)


Introdução 
A geografia é uma ciência que actua em várias áreas, incluindo estudo das actividades económicas, quando tem como foco as actividades rurais é conhecida como Geografia agrária, essa especificidade volta sua atenção para os fenómenos ocorridos no campo (conflitos, tipos de produção, reforma agrária, tecnologias empregadas, as culturas desenvolvidas entre outros).
A produção pecuária corresponde ao conjunto de técnicas utilizadas e destinadas à criação e reprodução de animais domésticos com fins económicos, esses animais são comercializados e abastecem o mercado consumidor. Entretanto, neste trabalho falaremos da Pecuária, incluindo os factores, tipos de gados, formas de criação, sistemas de criação e muitas outros pontos que abordaremos. 

Pecuária
A pecuária é uma actividade ligada à criação de gado e outros animais, esse ramo produz importantes matérias-primas que abastecem as agroindústrias, como carnes para frigoríficos, peles na indústria de couro, leite para laticínios e muitos outros. 
Dentre as muitas fontes de renda derivadas da pecuária destaca-se a produção de carne, leite e ovos. A carne exerce a principal função na produção agroindustrial, nesse sentido os animais consumidos são: bovinos, suínos, bufalinos, ovinos, caprinos e galináceos ou aves em geral. A segunda importante produção está ligada à produção leiteira, nesse caso são derivados de bovinos, bufalinos, ovinos e caprinos, o terceiro tipo de produção mais importante é a de ovos, provenientes da criação de galináceos e por último os animais de montaria (equinos, muares e asininos).
FACTORES DE PRODUÇÃO DA PECUÁRIA
Factores humanos e naturais:

§  Fatores humanos: transporte, mercado consumidor, etc.
§  Factores naturais: clima, relevo, solo e vegetação
Conceito de Factor de Produção

Os factores de produção (ou inputs) são bens, duráveis ou não, utilizados para produzir outros bens mediante a utilização de determinados processos e tecnologias de produção. Em modelos económicos teóricos, cada um dos factores de produção é incluído numa função a que é dada a designação de função produção, a qual procura medir a quantidade máxima de produção para diferentes quantidades de factores produtivos.
Tipos de Factores de Produção
Uma das categorias de factores de produção são os inputs duráveis, isto é, não consumidos durante o processo produtivo. Tradicionalmente os economistas classificam os factores de produção em três grandes categorias: terra, trabalho e capital:
Terra: é considerado como um factor de produção primário e representa, em sentido lato, a terra utilizada na produção agrícola e pecuária, a terra para implantação de edifícios e outras construções, os recursos minerais e outros tais como o ar e a água;
Trabalho: tal como a Terra, é considerado como um factor de produção primário; representa não apenas o tempo de trabalho humano despendido na produção, mas também as capacidades e conhecimentos das pessoas utilizados na produção; este factor produtivo é geralmente considerado como a chave do desenvolvimento económico;
Capital: inclui todos os bens duráveis produzidos com o fim de produzirem ou apoiarem na produção de outros bens ou serviços; podem ser incluídos neste tipo de factores produtivos as máquinas industriais, os equipamentos informáticos, os equipamentos de telecomunicações, os equipamentos de transportes, as instalações, entre diversos outros.

Factores de Produção Fixos e Variáveis
Uma distinção geralmente efectuada entre factores de produção é quanto à sua flexibilidade no curto prazo. Quando é possível variar a quantidade do factor de produção no curto prazo, é dada a esse factor a designação de factor de produção variável. Pelo contrário, quando não é possível variar a quantidade do factor de produção no curto prazo, mas apenas no longo prazo, é-lhe dada a designação de factor de produção fixo. Numa empresa, os factores de produção com maior facilidade de alteração são as matérias-primas e o factor trabalho e o mais difícil (e por isso considerado como fixo no curto prazo) o factor capital.
Tipos de gado
Por gado entende-se o conjunto de animais que foram domesticados pelo homem para aumentar a sua produção, serviços agrícolas, consumo doméstico, comercial ou industrial:
§  Gado asinino – os ásnos também denominados jumentos, jegues ou burros
§  Gado bovino ou vacum – os bovinos e algumas espécies de búfalo
§  Gado caprino – as cabras
§  Gado cavalar ou equino – os cavalos
§  Gado muar – as mulas e mulos (português europeu) / burros (português brasileiro)
§  Gado rangífero – as renas
§  Gado de Bico – aves domésticas
§  Gado suíno – os porcos domésticos
§  Gado ovino ou arietino – as ovelhas
§  Aves de capoeira – galinhas
Formas de Criação do Gado
Basicamente, existem três tipos de sistemas de produção de carne bovina: extensivo,semi-intensivo e o intensivo.



Sistema Extensivo
O sistema extensivo caracteriza-se por: utilização maciça de recursos naturais (algumas vezes de forma extrativista); a maioria das propriedades rurais situa-se longe dos centros consumidores; gado a campo; animais mestiços (azebuados); produção e/ou produtividade baixa; sem ou com diminutos planejamentos alimentar, profilático e ou sanitário; controles de produção e reprodutivos inadequados ou inexistentes; instalações inadequadas, muitas vezes somente o curral de manejo; pastos constituídos de plantas nativas e/ou exóticas, mas com os manejos da pastagem e do pastejo inapropriados; a utilização de suplementação alimentar quase inexistente (Ronaldo Lopes Oliveira 2008).

Sistema Semi-Intensivo
O sistema semi-intensivo caracteriza-se por: propriedades rurais especializadas, ditas empresas rurais, podem ou não estar próximos a grandes centros; alimentação com base em pastos, mas com utilização de suplementos minerais e concentrados; técnicas de conservação de forragens (silagens) e ou capineiras; quando utilizado o sistema de confinamento geralmente está vinculado à fase de engorda; controle zootécnico, profilático e reprodutivo; processos modernos de criação, em que utiliza gerenciamento agropecuário, de biotécnicas de reprodução; de maquinarias e de insumos; emprego de maiores investimentos por unidade de terra, quando comparado com o extensivo; contabilização do trabalho/ha; os funcionários são mais capacitados; as pastagens são exóticas e, algumas vezes, com manejos apropriados do pastejo e da pastagem e em alguns casos utiliza a integração lavoura pecuária; a suplementação alimentar concentrada pode ocorrer ao longo do ano, ou em partes do ano (estacionalidade de produção forrageira), no entanto a suplementação mineral ocorre ao longo do ano; quanto ao material genético o zebu ainda permanece predominante, em especial no rebanho de matrizes, utilizando técnicas de inseminação artificial e/ou no mínimo touros puros de origem; não é rara a utilização de animais de origem europeia nos cruzamentos, principalmente aqueles destinados ao abate; controle de outras enfermidades e de parasitos; as instalações de maneira geral são mais apropriadas e não se restringem ao curral de manejo (Ronaldo Lopes Oliveira 2008).
Sistema Intensivo
O sistema intensivo caracteriza-se por: propriedades rurais altamente especializadas, ditas empresas rurais, geralmente estão próximos a grandes centros, onde o preço da terra é alto e os conhecimentos mercadológicos são a chave para a manutenção; necessidade de planejamento dos recursos alimentares, sanitários, produtivos e reprodutivos, administrativos, entre outros; os pastos são explorados intensivamente, principalmente para rebanho de matrizes, quando utilizados para a fase de engorda podem estar associados à irrigação e/ou suplementação (semiconfinamentos) e/ou integração lavoura-pecuária; há adoção do sistema de confinamento, que pode ocorrer logo após a desmama; devido ao alto grau de especialização dos animais, é característica a alta produção animal e alta produtividade; há emprego de alimentos concentrados e minerais; o manejo geral dos animais é mais detalhado e laborioso; o manejo sanitário é mais complexo; de maneira geral os custos de produção são mais elevados; ocorre exploração ao máximo do potencial genético dos animais; mão de obra especializada, com a necessidade de especialistas nas áreas que circundam o sistema de produção de carne; quanto às características genéticas dos bovinos, esta pode ter base zebuína, mas também pode ocorrer maior utilização de animais de origem européia, essa variação é dependente do objetivo da produção, que geralmente estão associados ao mercado consumidor final (Ronaldo Lopes Oliveira 2008).

Distribuição Mundial dos Produtos Agropecuários
Nomeadamente, um pouco da divisão agrícola no mundo:
Países desenvolvidos tem na maior parte das vezes um sistema intensivo com técnicas modernas.
Países subdesenvlvidos tem um sistema extensivo, com técnicas rudimentares.
Nos países mais populosos a característica de sua agricultura é um uso intenso da mão de obra, uma baixa tecnologia e uma baixa produtividade, seus produtos principais são cereais, como o arroz.
Quanto aos páises produtores de cereais, os maiores exportadores estão a Austrália, o Estados Unidos e o Canadá. Entre os grandes consumidores estão a China, o Japão, e os países europeus.
Já aos países subdesenvolvidos temos como principais produtos agrícolas, produtos tropicais, café, cana, e frutas, sua produção é feita através da Plantations, que quer dizer uma monocultura tropical de exportação, seus consumidores são os países desenvolvidos.

Pecuária no Meio Ambiente
Os danos causados pela produção de gado ameaçam a flora e a fauna em todo o globo. Calcula-se que um estilo de vida mundial sem carne impediria mais de 60% da perda da biodiversidade.
Exemplo: Na Mongólia, 82% da totalidade da superfície terrestre é fixada como pasto permanente para pastagem de gado, o que é a única maior ameaça à perda da biodiversidade na Mongólia e em toda a Ásia Central.
Desmatamento
A pecuária é um dos principais motores do desmatamento. Desde a década de 1990, aproximadamente 90% do desmatamento da Amazônia ocorreu devido ao desbravamento de terras para o pastejo do gado ou para o cultivo de ração para o gado.
Em Queensland, Austrália, 91% de todas as retiradas de árvores ao longo de um período de 20 anos têm sido realizadas para a pastagem de gado.
Desertificação
A desertificação é causada pelo excesso de pastejo e pela expansão das áreas de cultivo alimentar para o gado.
Mais de 50% da erosão do solo nos Estados Unidos é causada pelo gado, o que leva à desertificação.
Cerca de 75 bilhões de toneladas de solo arável estão sendo erodidas anualmente devido à má gestão agrícola, mudança climática e pastagens de gado. Só nos Estados Unidos, 54% das pastagens estão desgastadas, com mais de 100 toneladas de solo arável perdido por hectare por ano.
Em 2010, o Iraque, China, Chade, Austrália e Mongólia, dentre outros, relataram graves secas, com as pastagens do gado piorando as condições.
Doenças
Sabe-se que mais de 65% das doenças infecciosas humanas são transmitidas por animais. As condições sujas e desumanas das granjas de confinamento abrigam bactérias e vírus letais, como os das gripes aviária e suína.
Outras doenças relacionadas ao consumo de carne: tuberculose, listeriose, doença de Crohn, doença da vaca louca, Campylobacter, Staphylococcus aureus, febre aftosa, HIV, o surto de peste pneumônica de 2009 na China, etc.
Os antibióticos regularmente administrados a animais em granjas de confinamento provocam a mutação de bactérias, levando a doenças resistentes a medicaçõe.
Emissões De Gases De Efeito Estufa
A pecuária e seus subprodutos são responsáveis por pelo menos 51% de todas as emissões de gases de efeito estufa.
Os aerossóis, ou partículas liberadas juntamente com o CO2 a partir da queima de combustíveis fósseis, apesar de seus aspectos nocivos à saúde, têm um efeito de arrefecimento que praticamente anula o efeito de aquecimento do CO2. Assim, as emissões de gado têm desempenhado um papel ainda maior no aquecimento global a curto prazo.
O metano é quase 100 vezes mais potente que o CO2 durante um período de 5 anos, mas desaparece da atmosfera muito mais rapidamente em comparação com séculos ou milênios para o CO2. A fonte número um de metano causado pelos humanos é a agropecuária.
Emissões de metano de granjas de confinamento subestimadas. Com base em novos cálculos, pesquisadores dos EUA na Universidade de Missouri concluíram que a quantidade de metano emitido a partir dos resíduos de granjas suínas e leiteiras pode ser até 65% superior à estimada anteriormente.
O ozônio ao nível do solo (troposférico) é o terceiro gás de efeito estufa mais predominante após o dióxido de carbono e o metano. A alimentação animal fermentada produz gases nocivos de ozônio, e em níveis regionais maiores do que os emitidos por automóveis.
O carbono negro (4.470 vezes mais potente que o CO2), produzido principalmente a partir de queima de florestas e cerrados para o gado, é responsável por 50% do aumento total da temperatura no Ártico e pela aceleração do derretimento de geleiras no mundo inteiro. O carbono negro permanece na atmosfera por apenas alguns dias ou semanas, então reduzir as emissões pode ser uma rápida resposta eficaz para diminuir o aquecimento a curto prazo.
O óxido nitroso é um gás de efeito estufa com potencial de aquecimento 300 vezes maior do que o CO2, aproximadamente. Sessenta e cinco por cento das emissões mundiais de óxido nitroso são provenientes da indústria pecuária.
Uso Do Solo
A produção de gado responde por 70% de todas as terras agrícolas e 30% da superfície terrestre sem gelo do planeta.

Conclusão
Findo trabalho, concluímos que apesar da imensa importância que a pecuária exerce na economia do país, essa atividade provoca, ao mesmo tempo, grandes impactos ambientais, como erosões provenientes do caminho que o gado realiza dia após dia, formando os conhecidos “trieiros” no meio das pastagens, que vão sendo lavados pela água da chuva criando as voçorocas. Outro problema está ligado à criação de bovinos em grande escala, pois as flatulências emitidas por esses animais contêm gás metano nocivos à atmosfera, favorecendo o aquecimento global e o efeito estufa, alguns estudos revelam que realmente esse processo é possível.
Por fim, pôde-se constatar também que a pecuária integra a agricultura, pois ambas são desenvolvidas em um mesmo lugar e em determinados momentos uma atividade depende da outra, um exemplo disso é a ração para bovinos, a produção leiteira que necessita de cana-de-açúcar e capim cultivados e, às vezes, as fezes dos animais servem como adubos naturais no cultivo de algumas culturas, como hortas.
Bibliografia
§  Salozábal, José Maria, Curso de Economia, 4ª ed., Bilbau, 1985, pp.77 e s., 197
§  NÃÃS, I.A. Princípios de conforto térmico na produção animal. São Paulo: Ícone Editora, 1989.

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