Trabalho de Geografia – A Cidade e o Urbanismo



Introdução


O trabalho presente fala sobre a cidade e o urbanismo, sua importância, os seus impactos cujos estes açodam a comunidade assim como o mundo no geral.

Farei abordagem em torno deste tema

Para mais compreensão, o trabalho esta organizada da seguinte forma:

Introdução;

Desenvolvimento

Conclusão e

Bibliografia



A cidade e o urbanismo

Dada a relação que os conceitos de cidade e urbanismo tem entre si, tornasse imperativo iniciarmos a análise desta temática pelo estudo do conceito de urbanismo.

O urbanismo é uma ciência que surgiu no final do século XIX para o estudo, organização e intervenção no espaço urbano, como medida para realizar as transformações necessárias na realidade caótica das condições de habitação e salubridade em que viviam os habitantes das grandes cidades europeias, na época da revolução industrial.

Há varias versões sobre o surgimento do termo urbanismo, porem, a mas difundida e de origem francesa, onde se refere que este termo surgiu por volta de 1910. Na França, no Bulletin de la Societé Geographique. Alfred Agache, arquitecto – urbanista, que se auto-denomina como sendo o criador da palavra, define urbanismo como sendo: uma ciência, e uma arte e, sobretudo, filosofia social. Assim, entende-se por urbanismo o conjunto de regras aplicadas ao melhoramento das edificações, do arruamento, da circulação e do descongestionamento das artérias públicas. E a recomendação, a extensão e o embelezamento de uma cidade, levados a efeito mediante um estudo metódico da geografia humana e da topografia urbana, sem descurar as soluções financeiras.

Contrapondo a esta versão, teóricos há quem defendem que o termo urbanismo teria sido criado em 1867, quando Cerda escreveu A teoria Geral da Urbanização. Apesar de jamais ter usado o termo urbanismo, Cerda usou o termo urbe para designar de modo geral os diferentes tipos de assentamentos humanos e cunhou o neologismo urbanização, designando a acção sobre a urbe.

Modernamente esta sendo divulgado o conceito de urbanismo sustentável, termo este igualmente associado à noção de eco bairros, que e a nova concepção de urbanismo, surgida no século XIX, para significar novas formas de sociabilidade, vivencia e respeito pelo meio ambiente.

A urbanização designa o processo em que esta envolvida a população urbana e o seu crescimento desproporcional em relação à população rural, que migra em função de fraca mecanização do campo, inexistência de perspetiva de melhoria financeira e, sobretudo, pela grande atracão promovida pelos centros urbanos. E um fenómeno moderno da sociedade industrializada e decorrente da revolução Industrial, que transformou os centros urbanos em grandes aglomerações de fábricas e escritórios, circundadas de habilitações confessandas e precárias.

Etimologicamente, o termo urbanismo provem do latim urbes ou urbis, que significa cidade, tendo como objecto de estudo cidades e o estabelecimento humano e suas necessidades. Nestes termos, o urbanismo evolui com a cidade. Da urbanização surge, termo brasileiro de urbanificação, que consiste no processo de correcção da urbanização (crescimento desordenado), no sentindo da renovação urbana.

Assim podemos raciocinar do seguinte modo:

Urbanização – está associada ao mau crescimento urbano (crescimento desordenado); Ramificação – está associado à reorganização e reestruturação das cidades.


Para que um centro habitacional seja considerado urbano, e necessário que o mesmo preencha certos requisitos, como por exemplo, densidade demográfica específica, existência de profissões urbanas, economia permanente…, mas nem todo núcleo urbano constitui uma cidade.

O conceito de cidade

Teoricamente, o conceito de cidade parece ser claro, mas ao pretender-se defini-lo claramente começam as inquietações e dificuldades. No passado, identificar as cidades não criava dificuldades: eram o lugar escolhido pelos artesãos, comerciantes e militares. As cidades antigas ocupavam, comparando com as actuais, meio pouco espaço. Estas cidades estavam muitas vezes encurraladas por detrás da sua muralha defensivas, distinguindo-se facilmente das povoações rurais.

Contudo, no decurso do tempo e em consequência da expansão das aglomerações para fora dos seus limites anteriores, por via da penetração física da urbanização nos meios rurais, a distinção entre os dois factos geográficos (cidade e campo), tornou-se cada vez mais difícil de estabelecer.

Parece claro que a cidade será o local de forte densidade humana, com muita mobilidade das suas gentes, com ruas e veículos, com muitos prédios compactos, altos ou não, com muito comércio, escritórios, casa de cinema, de espectáculos e de diversão, escolas, hospitais, sede do poder do poder político ou administrativo, entre outras. E não parece difícil aferir o que e a cidade. Porem, tal como Antunes (2000) refere, se descermos na escala de valores destas características, estas entrocar-se-ão em aglomerações que nos põem em duvida quanto a sua qualificação como cidade.

Cidade – e o lugar geográfico onde se instala a super estrutura política administrativa de uma sociedade (M. Castells).

A noção de cidade é para os estatísticos mas aritmética do que funcional e a distribuição do rural e do urbano está cheia de erros, muitos graves (Max Derruau).

A cidade tem seu carácter individual, sua biografia (orlando Ribeiro).


Uma localidade pode ser considerada cidade, quando ela cumpre pelo menos uma das seguintes condições: não ter ou ter poucas actividades agrícolas, marcas de crescimento, deverficações dos bairros segundo as suas actividades (Pierre Gourou).

A cidade é algo mais que um conjunto de indivíduos e de vantagens sócias; mais do que uma serie de ruas, edifícios, luzes, telefones, etc., algo mais também do que uma mera constelação de instituições e corpos administrativos: tribunais, hospitais, escolas, política e funcionários civis de costumes, que se transmitem pela tradição artificial. Esta implicada no processo vital da população que a compõe: é produto da natureza humana (Robert R. Park).

Uma cidade é como um animal. Possui um sistema nervoso, uma cabeça, ombros e pés. Não há duas cidades iguais: cada uma difere de todas outras (jon Steinbeck).

A cidade é um núcleo de cidadãos (Aristoteles).

Critério de definição de cidade


Os diversos conceitos existentes de cidade colocam-nos grandes dificuldades em defini-la.

Apesar de várias tentativas, mais ou menos generalizantes por parte dos geógrafos, sociólogos historiadores, etc., nunca se chegou a uma definição universal e satisfatória, pois as cidades assumem as mais variadas formas no espaço e no tempo, sendo problemática a identificação de algumas características gerais que aproximam. Existem pois vários critérios para definição de uma cidade, e vamos indica-los de seguida.

Critério demográfico

Este critério tem em conta um determinado número de habitantes e a densidade populacional.

Número total de habitantes

Em geral, as cidades possuem um número bastante elevado de habitantes; porem, há casos em que as localidades com designação oficial de cidade têm um número reduzido de habitantes comparativamente a outras com a mesma designação. Deste modo, para que um dado aglomerado urbano seja considerado cidade, devera, devera possuir um número inicial de habitantes. Porem, tal número é de tal modo diferente de país para país, que só deve ser aceite no país onde é aplicado.

É por isso que mesmo em diferentes países do mesmo em diferentes países do mesmo continente, como na Europa, na América do Norte e na Ásia, encontram-se aglomerados com estatuto de cidade e cujo total da população varia imensamente. Nesta conformidade, a Islândia e a Dinamarca, consideram cidade, um aglomerado que possua 200 e 250 habitantes, respetivamente; canada, 1000, a França e os EUA 2500, na Áustria 500, na Grécia 10 000 e 30 000 para o Japão. Isto levou a necessidade de os países tentarem concertar posições de forma a encontrar consensos sobre o número padrão aplicável aos países de uma certa região.

Deste modo, a conferência de estatísticas que teve lugar em Praga (ex-checoslováquia) em 1966, sugeriu que fossem consideradas cidades todas aquelas aglomerações que tivessem mais de 10 000 habitantes e menos de 25% da sua população a trabalhar no sector da agrícola. Assim, para países como Nigéria, China e Índia, com aglomerados com 50 a 100 mil habitantes, o principio da conferencia europeia não é aplicável pois nestes países tais aglomerados não são cidades, mas sim simples aglomerados rurais.

Por outro lado, a Organização das Nações Unidas (ONU) recomenda que os países considerem urbanos os locais em que se concentrem mais de 20 mil habitantes. Por sua vez, a ONU organizou as suas próprias estatísticas com base em padrões diferentes, tal como evidenciamos acima.

Densidade populacional

O critério densidade populacional valoriza a concentração de pessoas por unidade de superfície.

A densidade populacional é a medida expressa a relação entre população e a superfície do território, geralmente aplicada a seres humanos, mas também a outros animais. É geralmente expressa em km2.

A densidade populacional nas cidades é muito elevada devido ao facto das casa citadinas serem pequenas e estarem muito próximas umas das outras, formando prédios com muitos andares, que chegam a atingir dezenas de andares. Este critério, apesar de ser muito usual, apresenta grandes disparidades, pois há cidades que apresentam densidades altas com cerca de 50 00 habitantes por km2 (nova Iorque e Moscovo, por exemplo), e outras com 10 000, ou mesmo abaixo destes valores.

Critério morfológico

O critério morfológico é aquele que tem em conta o tipo de edifícios, a densidade do tráfego e vias de comunicação. Por outras palavras, a cidade apresenta, regra geral, um aspecto muito diferente do dos povoados e regiões rurais. Nas cidades predominam os prédios com varias andares, ruas largas, avenidas, grandes lojas, muita gente em circulação, transporte colectivos e privados, entre outros.

Critério funcional

O critério funcional tem por base o tipo de actividades e funções existentes na cidade.

Regra geral, na cidade predominam as funções dos sectores secundários e terciários variados, escasseando pessoas com trabalho no sector primária (agricultura e pecuária, etc.). Contudo, existem localidades que possuindo todas as características de cidade, nomeadamente a morfologia, quantidade e densidade de habitantes, tem a maioria da sua população empregada nas tarefas do campo.

Por isso o critério funcional tem em conta a influência exercida pela cidade sobre áreas envolventes e o tipo de actividades a que a sua população se dedica.

Breve história da evolução das cidades

O surgimento das cidades foi uma consequência da evolução das agriculturas, especialmente da revolução do Neolítico, que permitiu a sedentarização dos homens num determinado lugar.

Antes do Homem se ocupar da agricultura não havia cidades, quanto muito, existiam aldeias, sem carácter de fixação permanente, isto é, os homens eram caçadores e recolhectores, dependendo grandemente dos ciclos naturais para a sua alimentação.

Com agricultura, o Homem já podia conservar os seus alimentos, pelo que se inicia o aparecimento de aglomerações populacionais com um carácter definitivo. Como é evidente, parece ser perfeitamente aceitável que os primeiros lugares que atraíssem os homens para uma fixação permanente, tenham sido os locais que garantissem a sobrevivência desses mesmos agrupamentos humanos. Nesse contexto, tais sítios deviam ter obrigatoriamente agua, e porque naqueles tempos não havia agua canalizada e nem poços, os locais escolhidos foram os locais planos das margens dos rios. Esses locais, para além da água e peixe que forneciam, tinham certamente margens ricas em nutrientes, o que permitia a existência de solos férteis e, por conseguinte, a prática agrícola. A partir do estudo da história, já se sabe que os grandes rios (Nilo em África, o Tigre e o Eufrates na Mesopotâmia – actual Iraque, e o Indo e o Ganges, na Ásia) foram o berço das grandes civilizações, o que não é de admirar, pois estes possuíam os requisitos acima descritos. O surgimento das cidades foi a consequência da sedentarização do Homem.

Em geografia chama-se sítio à localização exata do espaço que originalmente deu origem à cidade. Foi a partir daqui que surgiram cidades com formas e funções diferentes.

Existe unanimidade de opiniões relativamente ao ponto de partida da revolução urbana.

Pensa-se que Jerico, na Palestina, a cidade mais antiga que se conhece (VIII milénio a. C.). As casas de jerico eram construídas de tijolos confeccionados à mão e recobertos de uma camada espessa; os vãos das portas eram amplos e os quartos tinham uma dimensão considerável. Tinha uma muralha de cintura maciça, construída de blocos de pedra. Existia um equino altar, um santuário e uma colunata.

A revolução urbana desencadeou-se na Palestina, na Mesopotâmia entre o Tigre e o Eufrates, no actual Iraque (ver mapa), no vale do Indo e no vale do Nilo: a região do crescente fértil, por volta de 35 a. C. Tais cidades surgiram em pontos diversificados, mas sempre nos vales dos rios, pois estes proporcionam terras férteis, irrigação e comunicação, garantindo assim a produção necessária de alimentos para abastece-las. Temos Mênfis, no vale do Nilo, Tebas na Grécia, Mohenjo-Daro, no vale indo, Pequim, no rio Amarelo etc.

As cheias periódicas dos rios Nilo, Indo, Eufrates e tigres enriqueciam os solos de aluviões, o que permitia a obtenção de mais excedentes, prontos a serem trocados por outros produtos. O recurso às técnicas de irrigação por parte dos egípcios permitiu igualmente que os outros povos os apelidassem de civilização de irrigação. No entanto, teria sido na Mesopotâmia o local onde nasceu a civilização da irrigação. No entanto, teria sido na Mesopotâmia o local onde nasceu a civilização urbana, por volta de 3500 a. C. mil anos depois, sumérios já haviam construído cidades de renome, tal como é o caso de Ur, Lagash e Erech que tinham aproximadamente, 34, 20 e 70 mil habitantes respectivamente.


Há ainda a salientar que as cidades egípcias do vale do Nilo apresentavam-se construída paralelamente ao curso do rio, o que significava a existência de um planeamento prévio. As mesmas comportavam trabalhadores, administrados e a classe dominante.

Ao longo das planícies do rio Indo e do seu afluente Penjab, por volta de 3250 e 2750 a. C., desenvolveu-se uma outra civilização, que já possuía duas cidades muito povoadas, as cidades de Mohenjo-Daro e Harapp (a). A primeira possuía casas de habitação, edifícios públicos, um mosteiro e três ruas no sentindo norte-sul, uma perpendicular e outras pequenas ruas. Eram cidades comercias, que ate exportavam produtos para outros continentes.

As cidades litorais fenícias, como Biblos, Sidon e tiro, tinham dada a sua posição geográfica, um grande papel atrativo. O seu desenvolvimento deveu-se à principal função exercida por estas, a função do entreposto comercial com as colónias e com as cidades da Mesopotâmia.

As cidades do presente – a explosão demográfica

O grande desenvolvimento das cidades e das formas de vida urbana são um dos fenómenos que melhor caracteriza a civilização presente. Como já foi mencionando antes, a cidades não é um facto novo, mas é uma sim uma transformação iniciada em séculos anteriores, onde a população maioritariamente rural foi-se convertendo noutra, predominantemente urbana.
Por volta de 1800, a população urbana mundial não ultrapassava os 5%. Na Europa, a taxa de urbanização não ia para além dos 19% em 1800, era de 28% em 1850, em 1900 de 44% e hoje aproxima-se dos 70%.

Taxa de urbanização define-se como sendo o percentual da população urbana em relação à população total. Calcula-se usando geralmente dados censitários, segundo a fórmula seguinte:

Nos Estados Unidos da América a urbana era de 6.1% em 1800, no princípio do século XX, 39,7% e hoje ultrapassa os 70%. Em países recentes como a Austrália e a Nova Zelândia, a população actual urbana é dos 85%.

Antes de 1800 existiam no mundo 21 cidades com mais de 100 000 habitantes. Em 1972, o seu número tinha aumentando para 537, das quais metade se localizava-se na Asia e 90 na América do Norte. No início do século XX, o mundo contava com 16 cidades de mais de um milhão de habitantes, e hoje estas cidades são cerca de 200.

A Inglaterra foi o primeiro país do mundo a urbanizar-se (em 1850 já possuía mais de 50% de população urbana), e a urbanização acelerada dos países desenvolvidos industrializados ocorreu a partir da segunda metade do século XIX. A urbanização foi pois mais intensa nos países que realizam a revolução Industrial e que hoje constituem os países desenvolvidos.

Os países em via desenvolvimento também registam elevado crescimento populacional urbano, contudo, este é recente e acontece depois da Segunda Guerra Mundial. O século XX caracterizou-se pela urbanização destes países. O ritmo acelerou-se a partir de 1950, devido ao aumento das taxas de crescimento populacional, e em muitos desses países a industrialização foi propiciada pelos investimentos das empresas multinacionais. Formaram-se grandes cidades para onde as populações do meio rural se deslocaram em busca de melhores condições de vida, nomeadamente emprego, conforto e ascensão social.

Esta industrialização adquiriu contornos tecnológicos muito modernos, comparativamente aos padrões utilizados no século XIX, o que resultou na criação de menos empregos e isso justifica que muitas das pessoas que se deslocaram para as cidades não encontraram trabalho e passaram a viver em situação de estrema pobreza, em locais insalubres, sem luz, agua, rede de esgotos, transportes coletivos e demais serviços urbanos. Nesses países o sector terciário informal (actividades não regulamentadas) cresce mais que o formal. Este fenómeno designa-se por hipertrofia do terciário.

A América Latina é a região mais urbanizada no conjunto dos países menos de desenvolvidos e desde o meio da década de 70 que a população urbana é superior à população rural. Os países de Africa e asia possuíam em 1925 uma taxa de urbanização baixa (ou seja, uma baixa percentagem de população que vive numa zona urbana) e que andava à volta de 8%, para aumentar para cerca de 15 % em 1950 e para 65 % em 1980. O Japão e a Rússia, conjuntamente com os países da CEI, apresentavam até finais do seculo XX, altas taxas de urbanização na ordem de aproximadamente 68 e 77% respectivamente.

Do apresentado pode-se depreender que o ritmo de crescimento da população urbana é muito variável. Na Europa Ocidental, o ritmo abrandou, contrariamente à Europa Mediterrânica, onde continuou vigoroso, como resultado de um êxodo rural apreciável. Na Rússia e países do leste, a expansão foi muito forte mas actualmente esta um pouco mais controlada. Na América do Norte, Austrália e nova Zelândia os ritmos de crescimento da população urbana são dos mais lentos. É todavia nos países de áfrica, América Latina e ásia que o ritmo de crescimento é explosivo, com cifras a atingirem 20 milhões de pessoas nas cidades destes países, nos finais do seculo XX e inícios do XXI.

O fenómeno urbano


O acelerado crescimento demográfico das cidades originou metamorfoses em muitas regiões do mundo. O fenómeno urbano, acelerado entre guerras, criou diversas paisagens urbanas, determinou os novos arranjos internos e a expansão física recente das cidades para os subúrbios. Nos países desenvolvidos a tendência actual aponta para um papel cada vez menos atrativo da cidade, mas o mesmo não acontece nos países em vias de desenvolvimento, como prova a urbanização galopante.

Este desenvolvimento global da população urbana, que 1900 aumentou em 100 vezes mais rapidamente do que a população mundial, correspondeu aos seguintes tipos de concentração urbana:

Tipo europeu, onde se observou um movimento pioneiro de expansão urbana que tem hoje tendência de reduzir;

O tipo dos países de colonização europeia (Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia;

O tipo dos países do Leste, cuja expansão das cidades é comedida de acordo com os planos de desenvolvimento económico;

O tipo dos países em varias de desenvolvimento, onde a população urbana sofre atualmente um crescimento vertiginoso, depois de uma longa estagnação.

A cidade na actualidade – o nascimento das grandes concentrações

O rápido crescimento dos centros urbanos revela-se hoje em dia um grande problema a nível ambiental. O ritmo de crescimento dos centros urbanos é muito superior à capacidade e previsão definida pelas autoridades. Vai-se acumulando na cidade uma população imigrante, que se vai distribuindo ao acaso pelas camadas mais miseráveis e abandonadas, invadindo propriedades alheias ou zonas com condições urbanas inadequadas, tantas vezes ligadas ao centro da cidade.

Isto deu lugar aos chamados bairros de caniço de Maputo, aos musseques de Luanda, aos bidonvilles das cidades francesas ou argelinas, às chabolas das cidades espanholas, às favelas brasileiras, aos rancheiros venezuelanos e aos bairros de lata de Lisboa. São raras as cidades mundiais que não sofrem este tipo de transformações resultantes de um crescimento anárquico e agressivo. São bairros marginais, onde para alguns começa o sucesso na vida enquanto para outros representa o ultimo escalão de uma descida dolorosa. São subúrbios resultantes do crescimento descontrolado da cidade, assim como dos bairros clandestinos que proliferem em áreas não urbanizadas da cidade e fora da alça das entidades públicas.

Tudo isto levanta problemas de organização do espaço nas grandes metrópoles, problemas estes que se têm vindo a agravar com o tempo. Designa-se por metrópole (cidade-mãe, do grego metro = mãe e polis = cidade) uma grande cidade com pelo menos 500 000 habitantes, incluindo os subúrbios que não distem mais de 40 minutos do centro. O termo conurbação significa a junção da malha urbana de duas ou mais cidades em expansão. Há quem sugira o termo megalópolis (cidade de dimensão gigantesca), palavra criada pelo geografo francês Gotman, contudo o termo megapolis tem sido utilizado como sinonimo de uma grande região urbanizada que contem dentro de si diversas cidades, isto é, varias áreas metropolitanas.


Classificação das cidades – as principais funções das cidades

As funções são determinadas pela atividade principal desenvolvida pela população, embora a maioria das cidades exercer todas as funções, há uma atividade preponderante que leva a que se considere tal atividade como especialidade desta ou daquela cidade. É a partir da estatística ou sondagem ou informações fiscais que obtém dados que nos permitem classificar ou ordenar as funções de um aglomerado urbano. Igualmente, se as grandes cidades especializadas, cuja atividade é dominada por funções urbanas preponderante. Ademais, uma cidade com uma função dominante apresenta uma morfologia e fisionomia próprias, uma vida particular e um cunho característico que facilmente a distingue.

As cidades desempenham uma serie de funções: funções de direção e comando; funções de produção e consumo; e funções que asseguram serviços.

Funções de direção e comando

As funções de direção e comando compõem-se de: função politica, função financeira e função direta ou administrativa.

Função politica – exprime-se pelos poderes do Estado que muitas cidades detêm; ou seja, é uma função característica das cidades capitais d Estado, apesar de não serem exclusivas, onde os governos têm as suas sedes. São simbolizadas por um grande número de atividades públicas e é onde muitas vezes se encontram os centros de decisão de grandes empresas. Washington, com cerca de 3 milhões de habitantes, possui 600 000 funções relacionadas com a função de capital política e das decisões politicas.

Função financeira – é conjuntamente com a função politica a mais urbana de todas as funções urbanas. As cidades sempre foram locais de acumulação de riqueza, pois foram e continuam sendo lugares de troca e de comércio. Desde a Idade Média que as cidades da Europa Ocidental congregam capitais; foi esta longa herança que permitiu e explica o desenvolvimento de estabelecimento bancários e a importância das bolsas de valor nas grandes cidades (Paris, Londres, Zurique). Fora da Europa, outras cidades explicam o seu desenvolvimento pelas mesmas razoes, são os casos de Nova Iorque, Hong-Kong, entre outras.

Função diretiva ou administrativa – esta função é conferida às cidades com uma vasta gama de serviços, onde as sedes administrativas de grandes empresas indústrias, comerciais e financeiras se concentram, em áreas específicas. Essas áreas resultam nos famosos “Central Business District” (CBD), city u baixa, que orientam e administram a vida económica de um país, região e, por vezes, a vida mundial.

Funções de produção e consumo

Estas funções compreendem a função industrial, a função comercial e a função de consumo.

Funções industriais – pese embora a atividade industrial esteja patente em quase todas as cidades, existem algumas que resultam exclusivamente da atividade industrial. Trata-se de alguma cidades da Europa Ocidental e estados Unidos da América surgidas em resultado da revolução industrial e da exploração dos recursos minerais do subsolo e que acabaram marcando profundamente toda a paisagem circundante.

Contudo, apesar de algumas destas cidades estarem em declínio face ao esgotamento dos recursos no passado explorados, muitas são aquelas, que fruto da expansão industrial, continuaram a exercer a sua função industrial, mantendo simultaneamente toda vida, traços e características que outrora lhe foram peculiares, nomeadamente o céu cinzento proveniente das suas chaminés fumegantes e casas escurecidas, transito de viaturas intenso, ruas chias de gente, apenas para citar alguns exemplos. São os casos de Manchester, Turim, Pittsburgh, Essen, entre outras.

Função comercial – a atividade comercial teve e continua desempenhado um grande papel na criação e desenvolvimento das cidades. Já na Idade Media desempenhou um grande papel no nascimento e desenvolvimento das cidades através das trocas comercias e da acumulação de capitais.

As vias de transporte e comunicação foram um dos primeiros fatores de localização da cidade que ainda hoje se mantem. Vias como os rios, o mar, caminho-de-ferro e, recentemente, as estradas e os modernos aeroportos estimulam as trocas comerciais, quer ao nível interno como externo. As cidades costeiras cumprem uma função primordial nas trocas comerciais, como são os casos das cidades do Cabo, Maputo, Beira e Nacala em África e Roterdão, Antuérpia e Hamburgo na Europa.

Ao longo dos rios localizavam-se algumas das principais cidades comercias europeias como Basileia, Estrasburgo, Colonia, Roterdão, no rio Reno; e nas margens de grandes lagos, como por exemplo os americanos, localizavam-se as cidades de Detroit, Chicago, Cleveland e outras.

Estas cidades comerciais exercem uma função muito importante na complementaridade tanto regional, como nacional ou internacional, como é o caso de Tóquio, Valparaíso, Londres, Amesterdão, Liverpool, Marselha, Nova Iorque, Montreal, Milão, entre outras.

Função de consumo – as cidades recebem e consomem grandes quantidades de produtos agrícolas, matérias de construção, energia, água e diversos produtos manufaturados. Este consumo provoca um efeito negativo no ambiente. Assim, a função de consumo é aquela que diz respeito ao papel e dimensão consumista da cidade, uma vez que o consumo materializa-se através da compra de produtos, resultantes da transformação de matérias-primas.

Funções de prestação de serviços

Função sanitária – é aquela função desempenhada pela cidade com o fim de assegurar as condições básicas de higiene e serviços de saúde dos seus habitantes. Assim, a cidade exerce uma função de responsabilidade relativamente a uma comunidade mais ou menos grande. O número de estabelecimentos hospitalares é um bom indicador da influência da cidade neste campo.


Função de ensino, de educação e cultural

Função cultural – as cidades exercem um papel de destaque na área cultural. Este papel associa-se à existência, desde há longa data, da sua função universitária, tornando-as centros de pesquisa e investigação, centros de animação artístico-culturais e produção cultural.

Grandes cidades estão dotadas de um grande número de estabelecimentos de ensino com destaque para o ensino universitário. São exemplos de cidades como Oxford, Cambridge, Montpellier, Uppsala, Heidelberg, Pretoria, Maputo para moçambique, entre outras. Estas cidades são únicas e distintas de outras, tornando-as singulares nas funções que exercem – a função educativa, académica e cultural.

Funções de turismo e de recreação

Tanto as cidades costeiras como as de montanha, as de sol ou de neve, termais, com águas minero-medicinais, oferecem a todos aqueles que as procuram, diversão, sossego, paz e tratamento.

As cidades costeiras com boas condições climáticas, sol e agua do mar são muito procurada para atividades balneares por turistas de todo mundo. As montanhas oferecem neve para atividades desportivas tais como o ski no Inverno, sendo de destacar as estacoes dos Alpes franceses e suíços.

Função religiosa

Por vezes as cidades foram e são o resultado de fatores religiosos; tem-se como exemplos as cidades de Jerusalém, Meca, Vaticano, Fátima, entre outras. Estas surgiram em locais de “aparições” de entidades místicas, de importantes mosteiros, catedrais, etc. atraem milhares de peregrinos e dão origem a receitas de montante importante devido aos serviços (alimentar, alojamento, comercial, etc.) que existem para suporte ao peregrino.

Função múltipla

A função múltipla ou mista é aquela que congrega dentro duma mesma varias funções, nomeadamente a função político-administrativa (que é por excelência a atividade que caracteriza qualquer capital de Estado, pois costuma ser capital do pais que se localiza a sede do governo, embaixadas, bem como o centro decisório das grandes empresas, a banca, seguros, comunicações entre outras), industrial, comercial, financeira, de defesa, cultural, religiosa, turística e outras mais.

Partindo do pressuposto que a função da cidade é a atividade principal que a torna especializada numa dada atividade, torna-se claro que em quase todas as funções referenciadas, o que as torna múltiplas ou mistas em seu funcionamento.

Para o caso de Moçambique pode se afirmar que a cidade de Maputo desempenha simultaneamente esta função mista, por ser o centro politico, administrativo e comercial de Moçambique.

Estrutura urbana – modelos de estrutura urbana

A estrutura urbana é a relação urbanista existente no interior do espaço urbano entre as diferentes partes em que compõem a cidade: constituída de cidades antigas e de sucessivas zonas habitualmente agregadas concentricamente, a parte do núcleo inicial onde se fundou a cidade.

Assim, a organização interna da cidade é feita mediante o recurso a várias teorias. Tais teorias visam explicar a maneira como o solo urbano se encontra organizado, quer seja em função da história do desenvolvimento da cidade, acessibilidade ou do valor do solo.

Assim, são três as teorias principais, a saber:


A teoria dos círculos ou zonas concêntricas ou modelo de Burgess, criada em 1925;

A teoria dos sectores ou modelo de hoyt, criada em 1939;

A teoria dos Centros Multiplos ou cidade multinucleada, também chamada de Modelo de Harris e Ulman, criada em 1945.

Teoria de zona concêntricas ou dos círculos (modelo de Burgess)

Surgiu nos anos 20, em Chicago, por E. Burgess que se baseou nos seus estudos de sociologia para explicar como nas áreas urbanas se distribuíram as classes socias. Estabeleceu os nove pressupostos em que assenta o modelo:


Heterogeneidade social e cultural;

A base económica da cidade é o comércio e a indústria;

Existência de propriedade privada;

População e área urbana em expansão;

Homogeneidade de transporte;

O centro, fruto da competição pelo seu espaço, tem valor mais elevado do que a periferia;

Isotropia do solo (do grego – isos = igual e tropos = direção).

Inexistência de indústrias pesadas;

Sem passado histórico.

Este modelo descreve o uso de terra urbana em anéis concêntricos.

As zonas identificadas são:

O centro é o CBD;

A zona da transição de usos (uso residencial, comercial, industrial, etc.);

Residência dos trabalhadores que deixaram o segundo anel;

Residência da classe media e alta;

Residências das populações pendulares (ate 1 hora de distancia do CBD).

Com esta teoria, Burgess defendia o princípio de que o desenvolvimento de uma cidade se fazia de dentro para fora, ou seja, a partir de um lugar central para a periferia, formando zonas concêntricas, ao que lhe chamou de movimento centrífugo.

Esta teoria foi sujeita a críticas por outros trabalhos subsequentes. Esta censura considerava o modelo limitado, irreal e demasiado rígido, devido principalmente à utilização da isotropia do espaço e não ter em atenção a descentralização das atividades económicas e das populações. De facto a fraqueza desta teoria cingia-se no facto de muitas cidades desenvolverem-se e deixarem um desenho em perspetiva estrelar e não no formato de anéis concêntricos, pelo facto do seu desenvolvimento estar a ser operado ao longo das estradas. No entanto burgess entendia que o seu modelo só devia ser posto em prática onde não existisse fatores de distorção tais como a topografia.

A teoria dos sectores (modelo de Hoyt)

Esta teoria data de 1939 e foi desenvolvida pelo economista Homer Hoyt. Esta surge como oposição à teoria de Burgess. Apesar disso são utilizados os mesmos pressupostos, mas esta presta especial atenção ao funcionamento dos transportes relativamente à vida Citadina, a localização das indústrias e o crescimento das áreas habitacionais. Perto do centro surgem contrastes na utilização do solo e estes continuam à medida que a cidade vai expandindo. Vários sectores propagam-se a partir do centro utilizando, geralmente, as vias de comunicação principal.


Assim que a classe alta estabelece numa determinada área, sobem os preços dos terrenos dessa área.

Segundo este modelo, a estrutura urbana resulta da existência de vias de comunicação principais que permitem um acesso rápido ao CDB, as áreas de classe alta e baixa repele-se, distância considerável às zonas indústrias, espaços livres disponíveis.

Teoria dos centros múltiplos (cidade multinucleada)

Criada pelos geógrafos Harris e Hullman em 1945, esta teoria preconiza que as cidades são constituídas por uma estrutura do tipo celular em que utilização do solo se desenvolve a partir de núcleos de crescimento. A utilização do solo em redor desses núcleos depende de quatro fatores:

A localização do centro ou CBD no ponto de acessibilidade máxima;

Determinadas atividades agrupam-se pois retiram dividendos dessa coesão;

Existência de atividades inconciliáveis;

Atividades que são incapazes de produzir mais-valias mesmo encontrando-se em áreas desejáveis.

A estrutura das cidades, segundo esta teoria, resulta das forças económicas e das particularidades das suas áreas internas. A história da cidade é um fator a considerar pois é importante no desenvolvimento da malha urbana.

O modelo do uso do solo estrutura-se `a volta de vários núcleos, não adjacentes, podendo mesmo antigas aldeias servirem como núcleo devido à expansão da cidade que as incorpora na sua malha.

O estudo das caraterísticas espácias da estrutura urbana, fundamentalmente do traçado vário (traçado urbano), aberto ou fechado, e a forma de seu plano urbano, toma o nome de morfologia urbana, conceito intrinsecamente relacionado com a estrutura urbana (uma vez que são forma e a função da cidade), de modo que é habitual falar conjuntamente de estrutura e morfologia urbana.

A relação existente para o exterior, ou seja, entre a cidade e a sua área de influência ou entre muitas cidades, quer estejam distantes ou estejam contidas dentro de um aglomerado urbano, constitui outro conceito que toma o nome de hierarquia urbana, que se estuda a partir de modelos como seja a teoria dos lugares centrais.

Extensão física da área urbana e sua organização

As cidades e localidades exercem uma certa atração à sua volta devido à existência de bens e serviços não disponíveis noutros locais (lugar central). Diz-se então que uma certa localidade ou região tem funções centrais quando disponibiliza centrais para tal acontecer. Assim:


Bem central – é o serviço ou artigo que só é adquirível num determinado lugar que é central em relação ao conjunto da população que o procura.

Função central – é qualquer atividade económica terciaria que assegura o fornecimento de um bem central.

Lugar central – é o lugar onde se exercem as funções centrais que servem a sua área complementar.

Funções raras – estão ligadas à atividade económica terciaria que só se encontra em lugares centrais (Ex: hotel, bancos, etc.).

Função vulgar – actividade económica terciaria que se encontra em geral em todos os lugares centrais com diversos estabelecimentos (Ex: tabernas, mercearias, padarias, etc.).

Localização de bens centrais – a maior ou menor abundância num certo local de uma função económica terciaria, depende essencialmente das leis da oferta e da procura. Deste modo, para cada função existe uma área de atração que é considerada mínima para que as atividades possam subsistir com suficiência garantia de viabilidade económico (limiar mínimo). Porem, a não existência de funções iguais (melhor preço ou qualidade) poderão determinar que a sua função seja atrativa muito para alem do mínimo, atingidos os locais onde as pessoas estarão dispostas a percorrer, para se deslocarem a esse lugar (limiar máximo). Portanto, o limiar mínimo varia de acordo com a função, e revela-se muito pequeno para uma função como a mercearia. Terá de ser muito maior para uma função como a venda de móveis ou de eletrodomésticos.

Foi com base neste conceito de atracão que se desenvolveram modelos de localização dos lugares centrais, bem como a sua hierarquia.

Localização das principais atividades urbanas e tendências de evolução

O meio urbano possui espaços caracterizados por usos diferenciados do solo, advindo dai diferentes localizações de atividades na cidade.

Algumas áreas são ocupadas principalmente por residências; outras, por escritórios e casas comercias; outras, por indústrias e ainda outras agregam vários usos. Se observarmos atentamente, notaremos que a localização das principais atividades (ou diversos usos) não é aleatória. A maior parte do comércio e dos serviços esta localizada no centro da cidade, portanto na periferia. As pequenas indústrias, por sua vez, estão mais perto da residência dos trabalhadores. A população mais pobre, na sua maior parte, esta localizada na periferia da cidade, e muita das vezes, nas áreas de piores condições ambientais, particularmente no que toca a salubridade. Os mais ricos também ocupam lugares determinados, como por exemplo, as áreas centrais privilegiada, ou então ocupam áreas nobres de periferia, com todo o conforto e segurança.

Pode-se afirmar que a distribuição das atividades pelo solo (localização das atividades no solo urbano) obedece, num primeiro momento, a uma logica meramente económica, e de caracter espontâneo. Pode-se questionar o porque do grosso dos estabelecimento comerciais, bancários e escritórios procuram se instalar no centro da cidade?

É porque, em primeiro lugar, é la que estão instaladas as atividades comercias e serviços da cidade, pois é desse modo que os estabelecimento aproveitam o cliente do outro. Por outro lado, o centro da cidade, devido à sua localização geográfica, maximiza os deslocamentos. Assim, uma só viagem pode permitir a alguém comprar roupa, sapatos, ir ao escritório de advocacia e ainda tirar dinheiro do banco. Por esta razão, o sector terciário (comercio e serviços) tende aglomerar-se quer no centro da cidade ou nos centros dos bairros. A essa vantagem de aglomeração em determinados lugares chama-se economia de aglomeração e esse efeito tende a manifestar-se por sectores de atividade.

As indústrias também não se localizam aleatoriamente, geralmente estão distantes dos bairros habitacionais, sobretudo aquelas que são poluidoras, e muitas das vezes nas bermas das estradas e principais avenidas. Certas indústrias possuem áreas indústrias que se situam na periferia das cidades – é o que se chama de distritos industrias. Porem essa distribuição espontânea das atividades no espaço urbano não ocorre de forma tao equilibrada como aprece aqui transparecer. Com o crescimento das cidades, os usos tendem a ser conflituantes entre si e a saturar a capacidade de suporte das infra-estruturas urbanas e do meio ambiente. Deste modo, as várias utilizações não só se juntam para compartilhar benefícios, como também para compartilhar impactos negativos. Assim, o dono de uma oficina de reparação de motores não reclama de barulho produzido pelo latoeiro, pois para além de partilharem ruido (poluição sonora), partilham também clientes e vice-versa. Contudo, uma escola, um hospital e uma casa de jogos eletrónicos ou uma discoteca ruidosa, um aeroporto, não podem partilhar a mesma vizinhança.

Essas afinidades e conflitos de atividades urbanas são as razoes principais para a realização do planeamento urbano, ou seja, a divisão do espaço urbano em áreas de uso conforme as afinidades e os conflitos dos mesmos, ou da capacidade de suporte do meio físico e da infra-estrutura urbana. Através desta chega-se ao zoneamento, que é responsável pela definição do que pode e não pode ser instalado em certa área da cidade (se a zona é industrial, comercial ou mista), entre outros elementos. Com efeito, em resultado do crescimento das cidades, novas áreas serão cada vez requeridas para se poderem acomodar as novas residências, comercio, serviços, entre outras atividades.

A cidade como pólo organizador do espaço

A cidade é por excelência o local onde ocorrem as trocas matérias e espirituais. Estas trocas ocorrem pois por um lado a localização das cidades permite e favorece a distribuição de produtos agrícolas, produção e distribuição de produtos manufaturados e industrias, e por outro, devido ao consumo de bens e serviços variados. Estas trocas matérias ligam-se às trocas espirituais, pois a cidade é igualmente a sede do poder administrativo, por sua vez representativo do sistema económica, politica social; as cidades são igualmente os locais privilegiados da função educativa e de actividads recreativas, lúdicas e de lazer, que implicam publico muito numeroso.

Relação campo – cidade

As relações campo-cidade não são um problema novo, mas um problema que já se verifica desde há seculos, e que ganhou uma importância considerável com o advento da revolução Industrial, nos dias que correm, a morfologia, a estrutura e o adiamento de muitas cidades são expressão da vida rural. Por isso, os laços que se estabelecem entre os habitantes da cidade e do campo estendem-se para alem dos arredores da cidade. A cidade tem um forte poder de atração definitivo ou temporário sobre habitantes do campo e ao mesmo tempo, um poder de escoamento que se manifesta num espaço periférico ao núcleo de atração. Estes poderes de atração podem ser resumidos nos seguintes pontos:

Atração de imigrantes – resultantes das migrações diárias ou pendulares (o vaivém diário dos que trabalham na cidade e vivem no campo), e mesmo das migrações definitivas, sobretudo dos jovens que tanto procuram emprego, saúde, educação e outros atractivos que a cidade aparentemente oferece.

Fluxo de comunicação – os fluxos de comunicação representados pela frequência de transportes públicos (autocarro, comboio, barco, metro), de chamadas telefónicas, distribuição de jornais diários, permitem uma ligação estreita entre a cidade e o campo, diminuindo por conseguinte, aparentemente, a distancia entre duas áreas,

Influência sobre a agricultura – o campo fornece diariamente uma vasta gama de produtos agrícolas diários, principalmente hortícolas, leite, mandioca, batata-doce, lenha, frutos silvestre e outros.

Por outro lado, a cidade é fornecedora de matérias manufaturados diversos, como instrumentos agrícolas, tractores, enxadas, catanas, ancinhos e similares cuja utilidade revela-se importante para o incremento da produção. A cidade é igualmente difusora de capitais e ideias. Finalmente, a agricultura como produtora de matéria-primas reforça os laços de solidariedade entre campo e a cidade.

Influência comercial – a área da influência urbana verifica-se e avalia-se pelo poder de fluxo comerciais que se afastam na direção do campo a partir das vendas a grosso e a retalho através dos mercados, feiras e centros comerciais.


Influência da cidade como pólo de emprego de serviços especializados – a cidade pode oferecer oportunidades de emprego e especificamente de serviços especializados aos cidadãos qualificados e acaba atraindo significativamente quer cidadãos das áreas circunvizinhas, quer outros provenientes de regiões distantes destas, à procura de emprego.

Influência intelectual – as cidades oferecem as maiores e melhores oportunidades de formação, ensino e educação devido à existência de escolas, sobretudo escolas de nível universitário. Estes centros universitários exercem a sua influência para além das fronteiras urbanas, constituindo pólos de atração.

Influência recreativa e cultural – devido à existência de cinemas, teatros, bibliotecas, campos desportivos, a cidade torna-se um pólo de atração para as populações rurais.

Influência administrativa – a cidade atua como um local aglutinador de vários serviços administrativo como notários, tribunais, que exercem uma influência proporcional ao grau hierárquico das funções disponibilizadas e que deixam o meio rural na sua dependência.

Influencia no estilo de vida rural – quando os citadinos passam ferias ou fins-de-semana no campo, estes são um poderoso meio de difusão de estilo de vida urbanos, como por exemplo, a maneira de vestir, de falar, de comer, o que leva o habitante rural A cobiçar o citadino, e dai tentar a sua sorte emigrando para a cidade. Outra influencia que daqui resulta é a alteração do estilo de vida e padrões culturais dos habitantes do meio rural, o que concorre para a aculturação e homogeneização das pessoas e dos estilos de vida ou dos valores culturais.

Planeamento urbano e sua importância

O planeamento urbano é o processo de criação e desenvolvimento de programas que visam melhorar e revitalizar certos aspetos, como por exemplo a qualidade de vida das populações dentro de uma área urbana, nomeadamente, vilas ou cidades. O planeamento urbano lido com os processos de produção, estruturação, e apropriação do espaço urbano.

Esta atividade é de importância capital pois tem em vista aconselhar os municípios, vilas e outros assentamentos urbanos, sugerindo possíveis medidas que podem ser tomados com o objetivo de minimizar e melhorar os problemas decorrentes do uso do espaço (congestionamento de transito, parqueamento de viaturas, etc.). Assim, os planeadores urbanos trabalham principalmente com o aspeto físico de uma cidade, no sentido de sugerir propostas que tem como objetivo embeleza-la e fazer com que a vida urbana seja mais confortável, apetecível e o mais proveitosa possível. Têm ainda por missão prever os futuros impactos positivos e negativos provocados por um plano urbano.

Importância do planeamento urbano na gestão ambiental

Um planeamento urbano bem desenvolvido dentro de uma cidade é muito importante para a gestão ambiental adequada, pois valoriza a conservação ambiental e aumenta a qualidade de vida das pessoas, garantindo a sobrevivência das pessoas nas grandes cidades.

Assim, o planeamento urbano tem grande importância no controle do crescimento desordenado dentro das cidades, onde o mesmo contribui para o agravamento da degradação do ambiente. O uso correto do espaço, juntamente com um planeamento adequado, pode evitar o crescimento desordenado dentro das cidades, onde cada um planeamento adequado, pode evitar o crescimento que esta fazendo ou destruído. Hoje é visível um crescimento desordenado na maioria dos países, sobretudo nos países em via de desenvolvimento, onde muitos não têm acesso às infra-estruturas adequadas de habitação, agua canalizada, sistemas de esgotos, coleta de lixo e eletricidade, as mínimas condições para sobrevivência humana.

O planeamento urbano visa portanto mostrar como é a cidade hoje e como ela deve ser no futuro. Este plano mostra a maneira como o solo urbano deve ser utilizado pelas infraestruturas públicas e como deve ser expandido, melhorando ou criado. Deve igualmente definir áreas que podem ser adensadas, com edifícios de maior altura, áreas que devem permanecer com media ou baixa densidade, ou aquelas áreas que não devem ser urbanizadas, tais como áreas de preservação permanente.

Principais problemas urbanos

A urbanização desordenada que aflinge muitas cidades do mundo, sobretudo dos países pobres, muitas vezes não preparados para atender às necessidades básicas das populações e sobretudo dos emigrantes, causa uma serie de problemas socias ambientais. De entre eles, destacam-se o desemprego, o subemprego, a criminalidade, o aumento da delinquência juvenil, a prostituição, o consumo de drogas, a exclusão social, a mendicidade, o suicídio, a falta de infra-estruturas sociais como escolas, hospitais, habitação, a insuficiência de água canalizada, de energia, de transportes, de espaços verdes, alimentação, precárias condições higio-sanitárias (ruptura de esgotos, deficiente gestão de resíduos sólidos, de valas de drenagem), poluição da água, sonora e do ar, construção desordenada, entre outros problemas.

As cidades começaram a crescer rapidamente, o que ocasionou a perda das características originais das mesmas, dando origem a um crescimento desordenado e colocando problemas a nível ambiental. A concertação das pessoas num determinado lugar aumenta o desperdício dos recursos naturais e a pressão sobre o solo pois os citadinos não cuidam dos espaços em que vivem, o que contribui para a degradação dos solos urbanos e seus recursos naturais.

Poe isso é clara a preocupação dos governos e políticos quanto à problemática do planeamento urbano e da gestão ambiental. Varias são as providências e campanhas realizadas, além do planeamento das cidades, com vista a estancar este mal que grassa na maioria das cidades do mundo.

Conclusão


Para fazer corretamente o trabalho e alcançar eficácia passou a ênfase em fazer o trabalho mais relevante aos objetivos da organização para alcançar eficácia, o trabalho passou de um fim em si mesmo para constituir um meio de obter resultados. Essa reformação significa uma revolução.

Bibliografia

MANSO, Francisco, VICTOR, Ringo. Pré-Universitario – Geografia 12. 1.ª ed. Maputo.Longman Moçambique. 2010.

GUEVANE, Luiz. G12-Geografia 12.ª classe. 1.ª ed. Maputo. Texto Editores. 2010.


Pemba, Outubro 2014

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